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Sexta-feira, 23 de Outubro 2026
Notícias/Nacional

Governo Lula 3 mantém R$ 83 milhões do cartão corporativo em sigilo e barra 22 mil pedidos via LAI

Partido muda estratégia e passa a defender investigação do filho do presidente Lula às vésperas do segundo turno da eleição presidencial.

Governo Lula 3 mantém R$ 83 milhões do cartão corporativo em sigilo e barra 22 mil pedidos via LAI
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desafiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de seus familiares, mas o próprio governo mantém sob sigilo cerca de R$ 83 milhões em despesas do cartão corporativo da Presidência da República e acumula 22.474 pedidos de acesso à informação classificados como negados desde 2023.

Os dados contrastam com o discurso de transparência adotado pelo petista na reta final da campanha eleitoral.

Na terça-feira (20), Lula protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento autorizando a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos, assim como os da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e de seus cinco filhos, referentes aos últimos oito anos. A iniciativa formaliza o desafio feito a Flávio durante o debate da Band, no domingo (18), quando o presidente afirmou que abriria seus dados caso o adversário fizesse o mesmo.

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Flávio Bolsonaro se manifestou sobre o desafio de Lula na quarta-feira (21) ao afirmar que aceita abrir os seus sigilos se o petista abrir os de seu ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e os da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja.

Na petição protocolada na Justiça Eleitoral, Flávio autorizou o acesso às próprias informações dos últimos 20 anos, mas estabeleceu exigências para que a medida também alcance o presidente e pessoas próximas a ele.

Ex-chefe de gabinete da Presidência na gestão Lula 3, Marcola é investigado em um dos inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

A Polícia Federal identificou repasses de R$ 249 mil da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, ao ex-assessor. Marcola afirma que o valor corresponde a um empréstimo pessoal já quitado, enquanto Roberta diz que o auxílio financeiro ocorreu por amizade. A relação entre os dois é investigada no contexto de suspeitas de favorecimento de interesses privados junto ao governo federal.

As autorizações dadas por Lula e Flávio sobre seus sigilos, entretanto, não significam que já tenham sido quebrados nem que as informações estejam disponíveis para consulta pública.

Com relação ao petista, enquanto cobra do adversário uma iniciativa de transparência, Lula e seu governo mantêm restrições de acesso a informações sobre despesas públicas e registram milhares de negativas a solicitações feitas com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).

98% das despesas da Presidência estão sob sigilo 

Dados dos gastos do Cartão de Pagamento do Governo Federal (CPGF), conhecido como cartão corporativo, mostram que a maior parte das despesas vinculadas à Presidência da República foi mantida sob sigilo durante o atual mandato. 

Entre 2023 e agosto de 2026, os gastos totais somaram R$ 84,54 milhões. Desse montante, R$ 83,37 milhões foram classificados como sigilosos. Isso representa aproximadamente 98,6% do total desembolsado no período. 

Levando em conta apenas os gastos com informações mantidas sob sigilo, em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Lula, a Presidência gastou R$ 24,06 milhões. No ano seguinte, os gastos chegaram a R$ 26,32 milhões. Em 2025, o total foi de R$ 22,73 milhões classificados como sigilosos. 

Em 2026, os dados disponíveis vão somente até agosto. Nesses primeiros oito meses, a Presidência já desembolsou R$ 10,25 milhões por meio do cartão corporativo com dados sob sigilo.

Nesse tipo de gasto, é possível ver apenas o mês e o ano do gasto, o valor e a unidade administrativa (ex.: Gabinete Pessoal do Presidente, Vice-Presidência, Secretaria-Geral) que fez a transação. Mas não é possível ter acesso a dados importantes como a data exata do gasto, nome do portador do cartão ou mesmo do fornecedor do bem ou serviço adquirido (ex.: hospedagem, combustível, alimentação, material de consumo ou apoio logístico).

A classificação de despesas relacionadas à Presidência costuma ser fundamentada na proteção da segurança do presidente, de seus familiares e das equipes responsáveis por sua proteção. Informações sobre deslocamentos, hospedagens, itinerários e operações de segurança podem expor rotinas e comprometer a atuação dos agentes públicos.

FONTE/CRÉDITOS: AGZT

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