
Chegam a R$ 54,3 milhões os valores que o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) conseguiu indisponibilizar de investigados nas três operações deflagradas em maio, em Blumenau e região, por suspeitas de esquemas de fraudes em licitações e contratos públicos. O levantamento foi atualizado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e pela 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau.
O montante corresponde ao total de bens e patrimônios tornados
No âmbito da 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau, os procedimentos investigatórios são conduzidos pelo Promotor de Justiça Marcionei Mendes. Para ele, a indisponibilização de bens em valores expressivos representa uma medida essencial para assegurar a efetividade das investigações e a futura reparação dos danos causados ao erário, além de desestimular a atuação de grupos organizados voltados à fraude em contratações públicas. O Promotor de Justiça destaca, ainda, que a atuação integrada entre o Ministério Público e os demais órgãos de persecução tem sido fundamental para o avanço das apurações e para a proteção da lisura nas relações com a Administração Pública.
Para o Coordenador Estadual do GAECO, Promotor de Justiça Wilson Paulo de Mendonça Neto, trata-se de valores expressivos, que refletem a dimensão e o alcance das ações de enfrentamento às organizações criminosas. Ele destaca que uma das prioridades institucionais do MPSC é justamente a recuperação de ativos e patrimônios obtidos ilicitamente como forma de enfraquecer a atuação dessas organizações.
Operação “Ponto Final”
Valor indisponibilizado: R$ 50 milhões
Deflagrada em 6 de maio de 2026 pelo GAECO, em apoio a Procedimento Investigatório Criminal (PIC) instaurado pela 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau, a operação apura fatos que indicam que, ao menos desde 2020, haveria um esquema estruturado envolvendo servidores públicos e empresários do setor de obras. O grupo atuaria no direcionamento de licitações e no superfaturamento de contratos públicos em Blumenau e municípios da região.
Foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão, além da imposição de medidas cautelares diversas da prisão a 11 investigados, incluindo uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contratar com a Administração Pública em todo o território nacional, nas esferas federal, estadual e municipal.
O nome “Ponto Final” faz referência à origem das investigações, relacionadas a denúncias sobre obras dos terminais urbanos Oeste e Norte de Blumenau, simbolizando o encerramento de um ciclo de supostas irregularidades no setor.
Operação “Arbóreo”
Valor indisponibilizado: R$ 3,6 milhões
Deflagrada em 7 de maio de 2026 pelo GAECO, em apoio a PIC instaurado pela 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau, a operação apura a manipulação de procedimento licitatório para o fornecimento de refeições à rede pública de ensino. A investigação aponta para possível favorecimento da empresa vencedora, por meio de manobras jurídicas e acesso antecipado a informações sigilosas.
Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nos municípios de Blumenau, Indaial e Araucária (PR). O nome “Arbóreo” faz referência a um ingrediente típico de preparo culinário, em alusão à empresa investigada por, em tese, efetuar pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos no contexto apurado. Estima-se que, em um período de 30 meses, o montante de propina tenha ultrapassado R$ 3,6 milhões, entre junho de 2022 e dezembro de 2024.
Operação “Sentinela”
Valor indisponibilizado: R$ 779 mil
Deflagrada em 7 de maio de 2026 pelo GAECO, em apoio a PIC instaurado pela 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau, a operação investiga fatos ocorridos entre 2021 e 2024. Apura-se a existência de um esquema estruturado envolvendo servidores públicos e empresários das áreas de segurança patrimonial, limpeza urbana e serviços especializados. Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão nos municípios de Blumenau, Florianópolis e Itajaí.
A denominação “Sentinela” fundamenta-se no simbolismo associado à vigilância e à proteção. No caso investigado, um dos contratos analisados tinha por objeto a prestação de serviços de segurança em unidades de ensino, atividade de relevante interesse social, especialmente após o ataque à creche Cantinho Bom Pastor, ocorrido em Blumenau em 5 de abril de 2023.

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