O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mantém aberto um processo de apuração rigoroso contra o Banco Master após a instituição financeira não apresentar esclarecimentos dentro do prazo legal, que se encerrou na última quinta-feira (12).
A autarquia investiga indícios de irregularidades em uma carteira de empréstimos consignados, resultando no bloqueio estratégico de aproximadamente R$ 2 bilhões em repasses destinados à instituição. O montante retido refere-se a cerca de 254 mil contratos que permanecem sob análise técnica detalhada.
Um dos pontos centrais da investigação é o crescimento atípico do Credcesta, produto de crédito consignado vinculado ao Master. Relatórios da Dataprev revelam uma expansão superior a 2.500% no volume de contratos associados ao produto, que saltou de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024.
Embora o INSS ainda não confirme se a marca operava de forma exclusiva pelo Master, interlocutores do mercado financeiro afirmam que o Credcesta sempre foi um ativo exclusivo da instituição.
O presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, destacou que a autarquia identificou um “padrão reiterado de desconformidades” nas operações, o que motivou a suspensão preventiva dos pagamentos. Em depoimento recente, Waller afirmou que o instituto agiu de forma antecipada ao não renovar o acordo de cooperação com o banco em setembro de 2025, após detectar um volume expressivo de reclamações de aposentados e pensionistas sobre descontos indevidos.
A medida visa assegurar que os valores só sejam liberados mediante a comprovação da veracidade das assinaturas e da legitimidade dos contratos.
Atualmente, o liquidante do Banco Master não respondeu aos questionamentos formais da autarquia. Diante da ausência de justificativas, o INSS avalia a adoção de medidas complementares contra a instituição.
De acordo com Waller Junior, a definição sobre novos passos administrativos e sanções deve ocorrer logo após o período de Carnaval. Paralelamente, a Procuradoria da República no Distrito Federal conduz um inquérito civil público para investigar as supostas fraudes no sistema de crédito consignado.

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