O senador Carlos Viana (Podemos-MG), que preside a CPMI do INSS, comunicou a intenção de pautar, assim que possível, o pedido para ouvir Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A medida é uma prioridade para os parlamentares da oposição, embora uma tentativa anterior tenha sido derrubada pela presença maciça de parlamentares que apoiam Lula (PT), pai do investigado.
Além do filho do mandatário, o planejamento de Viana engloba o nome de José Ferreira da Silva, o Frei Chico. O irmão de Lula e dirigente do Sindicato Nacional dos Aposentados já teve sua convocação negada em duas votações passadas. O presidente da comissão ressaltou que levará esses temas novamente ao plenário.
Em suas palavras, “está previsto [requerimento] não só do filho do presidente, mas também do próprio irmão, e de pessoas ligadas à publicidade do Partido dos Trabalhadores. Eu vou trazer de volta. Esses requerimentos vão ser colocados na primeira oportunidade. Cada parlamentar votará de acordo com a sua consciência”.
O embate político se estende a Danielle Miranda Fonteles, ex-publicitária de campanhas petistas, cujos nove pedidos de convocação e quebra de sigilo foram todos rejeitados até o momento. A resistência aos nomes sugeridos pela oposição ocorre devido à predominância da base de apoio ao governo dentro do colegiado.
Embora não figure formalmente como investigado pela Polícia Federal, o nome de Lulinha foi citado em diligências recentes envolvendo a empresária Roberta Luchsinger. Os investigadores buscam esclarecer se haveria uma participação societária não declarada entre o filho do presidente e Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, utilizando Roberta como intermediária.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), utilizou declarações recentes do próprio presidente Lula para sustentar a necessidade do depoimento.
“Tem horas que precisamos reconhecer e é hora de reconhecimento. Acabei de ver uma entrevista do presidente Lula quando ele disse que o filho dele deve explicações sobre o caso do INSS. Eu acho que isso é a postura de um presidente. Portanto, não tem mais porque negar a vinda de Lulinha ao colegiado”, afirmou o deputado.
A comissão retomou suas atividades nesta quinta-feira após o período de recesso, mas Viana não especificou a data da próxima sessão deliberativa. Na reunião de abertura, o grupo aprovou solicitações de prisões preventivas ligadas às fraudes, porém postergou a votação sobre a abertura dos sigilos bancários do Banco Master.

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