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Segunda-feira, 01 de Junho de 2026

Notícias/Nacional

TCU investigará gastos milionários do PT com propaganda digital

Processo analisa eventual promoção eleitoral antecipada financiada com recursos públicos

TCU investigará gastos milionários do PT com propaganda digital
Foto Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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O Tribunal de Contas da União (TCU) aceitou a representação apresentada pelo deputado federal Sanderson (PL-RS) para instaurar uma Tomada de Contas Especial destinada a investigar possíveis irregularidades no uso de recursos do Fundo Partidário pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

O processo tramita sob o número 011.807/2026-1, tem relatoria do ministro Benjamin Zymler e acompanhamento do Ministério Público junto ao TCU pela procuradora Cristina Machado.

Na representação, Sanderson sustenta que há “indícios de desvio de finalidade, promoção político-eleitoral antecipada e utilização de verbas públicas partidárias para financiamento de operação massiva de comunicação política digital em contexto pré-eleitoral”.

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De acordo com os dados citados na representação, entre os dias 13 e 20 de maio de 2026 o partido teria gasto cerca de R$ 514 mil em anúncios patrocinados no Facebook, com concentração dos investimentos em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país.

Em um recorte mais amplo, considerando os 30 dias anteriores, as despesas do PT com publicidade digital ligada a temas políticos, eleitorais e sociais teriam alcançado aproximadamente R$ 1,4 milhão; valor que, segundo o documento, supera de forma expressiva os gastos registrados por outras siglas no mesmo ambiente digital.

Segundo o parlamentar, o pedido foi motivado por reportagens que apontaram um aumento expressivo dos gastos do PT com impulsionamento de conteúdo político em redes sociais após a divulgação de áudio envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

No documento encaminhado ao TCU, o deputado argumenta que os recursos do Fundo Partidário possuem natureza pública e, por isso, devem obedecer aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, impessoalidade e finalidade administrativa.

“Ainda que transferidos às agremiações partidárias, tais recursos não perdem sua essência pública nem se convertem em patrimônio privado de livre disposição partidária”, afirma a representação.

Sanderson também sustenta que os gastos podem ter ultrapassado os limites da comunicação partidária regular, configurando eventual estratégia de “campanha eleitoral permanente” voltada à sucessão presidencial de 2026. Veja aqui o documento na íntegra.

Segundo o parlamentar, os elementos analisados sugerem uma estrutura de comunicação digital destinada a explorar desgaste político de adversários, ampliar a visibilidade do presidente da República e associar o governo a pautas de combate à corrupção e defesa institucional.

A representação ainda destaca preocupação com o uso de plataformas digitais e mecanismos de segmentação algorítmica para direcionamento político de conteúdo patrocinado em período pré-eleitoral.

Entre os pedidos feitos ao TCU estão a identificação da origem dos recursos utilizados nas campanhas digitais, a verificação de eventual uso de verbas do Fundo Partidário, a análise da compatibilidade dos gastos com a legislação eleitoral e partidária e a requisição de informações às plataformas responsáveis pelos anúncios.

O deputado também solicitou que, caso sejam constatadas irregularidades, haja responsabilização dos gestores partidários envolvidos, aplicação de sanções e eventual ressarcimento ao erário.

Além disso, Sanderson pediu o envio de cópias do processo ao Ministério Público Eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apuração de possíveis ilícitos eleitorais e abuso de poder político e econômico.

FONTE/CRÉDITOS: DP
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