A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV/DEIC), deflagrou, na manhã desta terça-feira (21/07), a Operação Recidiva, com o objetivo de cumprir um mandado de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão contra um empresário do setor de autopeças da cidade de Palhoça, investigado pela prática reiterada de crimes relacionados à receptação de veículos e peças automotivas de origem ilícita e adulteração de sinais identificadores de veículos automotores
O nome da operação, Recidiva, faz referência à reincidência criminal do investigado, que voltou a praticar delitos da mesma natureza mesmo após sucessivas investigações, prisões e uma condenação criminal pelos mesmos crimes.
O histórico criminal do investigado evidencia a reiteração das condutas delituosas. Em 23 de fevereiro de 2023, durante uma fiscalização da Operação 311, policiais civis localizaram em seu estabelecimento comercial parte de um motor com registro de apropriação indébita e diversas peças automotivas com sinais identificadores suprimidos. Na ocasião, ele foi preso em flagrante pela prática, em tese, dos crimes de receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.
Em 9 de outubro de 2023, o mesmo estabelecimento voltou a ser alvo de uma operação policial. Durante as diligências, os policiais localizaram um veículo com registro de roubo, além de placas veiculares, notebooks e aparelhos celulares. Os materiais foram apreendidos e os fatos deram origem a um novo inquérito policial, que permanece em tramitação.
Posteriormente, em 10 de junho de 2025, o empresário foi novamente preso em flagrante após ser abordado conduzindo um Citroën C3 clonado, com chassi e numeração dos vidros pertencentes a outro veículo com registro de roubo. Em razão dos fatos, foi autuado pelos crimes de receptação dolosa e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.
O processo criminal resultou em condenação, proferida em 16 de janeiro de 2026, à pena de quatro anos de reclusão, em regime inicial aberto, posteriormente substituída por penas restritivas de direitos.
Mesmo após a condenação, as investigações apontaram que o empresário permaneceu praticando crimes da mesma natureza. Em maio de 2026, a DFRV/DEIC instaurou novo inquérito policial após o furto de um Fiat Siena, ocorrido em 19 de maio, no município de Biguaçu.
As investigações identificaram que o investigado utilizava, como um de seus modus operandi, um serviço terceirizado de guinchos para viabilizar o furto de veículos. Conforme apurado, os automóveis eram rebocados a partir de locais ermos e com pouca circulação de pessoas, dificultando a percepção da ação criminosa e favorecendo o encaminhamento dos veículos para o desmanche clandestino.
Conforme apurado, o Fiat Siena foi levado para um galpão pertencente à empresa de propriedade do investigado, onde permaneceu em processo de desmanche até o dia 23 de maio.
Durante diligências realizadas em 25 de maio de 2026, novamente no âmbito da Operação 311, policiais civis localizaram no estabelecimento peças provenientes de veículos furtados e diversos componentes automotivos com sinais identificadores suprimidos. Na ocasião, a companheira do empresário foi presa em flagrante.
As investigações também apontaram que o empresário teria determinado o desmanche do Fiat Siena e, posteriormente, ameaçado a vítima para impedir que o crime fosse comunicado à Polícia Civil. O veículo foi localizado posteriormente em estado avançado de desmanche.
Diante do robusto conjunto probatório reunido ao longo da investigação e da evidente reiteração criminosa do investigado, a Autoridade Policial representou pela decretação da prisão preventiva, pelo cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão e pela suspensão cautelar das atividades da empresa de propriedade do investigado, medida destinada a impedir a continuidade da utilização do estabelecimento para a prática de atividades criminosas.
Todas as medidas cautelares foram deferidas pelo Poder Judiciário. Em cumprimento à decisão judicial, o estabelecimento foi fechado por ordem judicial. Paralelamente, a Prefeitura Municipal de Palhoça promoveu a suspensão do alvará de funcionamento do estabelecimento, impedindo a continuidade de suas atividades comerciais.
A Operação Recidiva é resultado de um trabalho integrado entre a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV/DEIC), a Secretaria Municipal de Segurança Pública de Palhoça e o Núcleo Integrado de Inteligência (NUINT) de São José, evidenciando a importância da integração entre os órgãos de segurança pública no combate à receptação qualificada, à adulteração de veículos e ao comércio clandestino de peças automotivas.
As ações desenvolvidas por meio da Operação 311 continuam demonstrando sua efetividade no combate ao comércio ilegal de peças automotivas em Santa Catarina, permitindo a identificação de estabelecimentos utilizados para a receptação e o desmanche de veículos furtados e roubados, contribuindo diretamente para o enfraquecimento da cadeia criminosa responsável por esses delitos.
A Polícia Civil de Santa Catarina agradece o apoio institucional do Promotor de Justiça Dr. Eder Cristiano Viana, da 3ª Promotoria de Justiça de Palhoça, pela atuação no acompanhamento da investigação e pela manifestação favorável às medidas cautelares requeridas, bem como da Juíza de Direito Dra. Juliana Andrade da Silva Silvy Tholl, da Vara Regional de Garantias da Comarca de São José, que deferiu as medidas cautelares representadas pela Autoridade Policial, fundamentais para a efetividade da investigação, a interrupção da atividade criminosa e a preservação da ordem pública.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se