O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal realize a oitiva de Kleber Cabral, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Nacional). O chamado para prestar esclarecimentos ocorreu na sexta-feira (20), às 15h, motivado por declarações do representante de classe veiculadas na mídia a respeito de recentes ações judiciais.
Em manifestações públicas, Cabral declarou que, em sua avaliação, não foram apresentados elementos que comprovassem o vazamento efetivo de dados por parte do auditor que foi alvo de mandados expedidos por Moraes. Em outras interações com a imprensa, o presidente da associação chegou a comparar o clima de trabalho no órgão, afirmando que investigar organizações criminosas como o PCC gera mais receio entre os servidores da Receita do que o próprio STF.
A Unafisco também formalizou sua postura por meio de uma nota oficial divulgada, na qual externou inquietação com a operação policial. No documento, a entidade frisou a importância do respeito ao devido processo legal, à proporcionalidade e ao princípio da presunção de inocência.
Segundo o texto publicado, que fundamenta a repercussão do caso nos veículos de comunicação, a associação resgatou um episódio de 2019, também vinculado ao Inquérito das Fake News, em que dois auditores foram afastados por acusações semelhantes que, posteriormente, mostraram-se sem sustentação probatória, resultando na reintegração de ambos.
No encerramento de seu posicionamento, a entidade criticou o uso dos servidores em conflitos externos:
“Os Auditores-Fiscais da Receita Federal não podem, mais uma vez, ser transformados em bodes expiatórios em meio a crises institucionais ou disputas que não lhes dizem respeito. A instrumentalização de servidores públicos para deslocar o foco do debate público compromete a credibilidade das instituições e enfraquece o Estado de Direito”.

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