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Domingo, 13 de Setembro 2026
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Entenda as acusações dos EUA a Nicolás Maduro e à cúpula venezuelana

Constam como réus da ação, além do líder deposto da Venezuela, a ex-primeira-dama, o filho de Maduro, o atual e o ex-ministro do Interior, e um chefe do Tren de Aragua

Entenda as acusações dos EUA a Nicolás Maduro e à cúpula venezuelana
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Uma nova acusação suplementar do Tribunal do Distrito Sul de Nova York atribui ao presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) 4 crimes relacionados ao tráfico de drogas. O documento foi revelado na íntegra pela chefe do Departamento de Justiça dos EUA.

Maduro foi capturado por forças militares norte-americanas durante operação realizada na madrugada do mesmo dia em Caracas, capital da Venezuela. Ele e a mulher, Cilia Flores, foram detidos e levados para Nova York. 

Além de Maduro e da ex-primeira-dama Cilia Flores, são réus da ação o ministro do Interior, Diosdado Cabello; o ex-ministro do Interior e da Justiça (2002-2008) Ramón Rodríguez Chacín; o filho de Maduro, Nicolás Ernesto Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito”; e Hector Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado como líder da organização criminosa Tren de Aragua, classificada como terrorista pelos EUA. 

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O documento foi assinado por Jay Clayton, promotor do Tribunal Sul do Distrito de Nova York, e pelo presidente do júri, cujo nome foi mantido em sigilo. Segundo o texto, “por mais de 25 anos, líderes da Venezuela abusaram de suas posições de confiança pública e corromperam instituições que antes eram legítimas para importar toneladas de cocaína para os Estados Unidos”.

O texto da acusação caracteriza Maduro como “governante de fato, mas ilegítimo” da Venezuela. Também alega que “de 2006 a 2008, enquanto atuava como ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Maduro vendeu passaportes diplomáticos venezuelanos a indivíduos que ele sabia serem traficantes de drogas, com o objetivo de ajudá-los a movimentar recursos provenientes do tráfico do México para a Venezuela sob cobertura diplomática”.

Segundo a acusação, de 2004 a 2015, Maduro e Flores “trabalharam juntos no tráfico de cocaína” e ordenaram “sequestros, espancamentos e assassinatos” contra aqueles que deviam dinheiro ao tráfico de drogas ou prejudicavam as operações, incluindo a ordem para matar um chefe do tráfico de Caracas. De acordo com o documento, Maduro e os outros 5 réus tinham relações com o Tren de Aragua, com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o ELN (Exército de Libertação Nacional), da Colômbia; com o Cartel de Sinaloa e “Los Zetas”, do México.

A acusação detalha as imputações criminais que pesam sobre os réus e que foram baseadas em investigações da DEA (Agência de Combate a Drogas):

1-Conspiração de Narcoterrorismo.

São apontados como réus deste crime Maduro, Cabello e Chacín. Segundo a acusação, esses 3 réus conspiraram  por mais de 25 anos para violar a Lei de Drogas dos EUA com o objetivo de distribuir “5 kg ou mais” de cocaína. O texto sustenta que eles tinham o conhecimento de que o dinheiro do tráfico iria para as organizações estrangeiras designadas como terroristas pelos EUA – TdA, Farc, ELN e os cartéis mexicanos.

De acordo com a peça, mesmo que os crimes tenham ocorrido fora dos EUA, é passível de pena em território norte-americano, porque envolvem tráfico de drogas para dentro dos EUA (importação).

2-Conspiração para a importação de cocaína

São acusados por este crime Maduro, Cabello, Chacín, Flores, “Nicolásito” e “Niño Guerrero”. Segundo a ação, os 6 réus conspiraram para violar, de 1999 a 2025, a Lei de Drogas dos EUA, com o objetivo de levar cocaína de outros países para o território norte-americano, incluindo “águas próximas à costa” dos EUA. A conspiração também envolveria usar aviões registrados nos EUA para transportar, produzir ou distribuir a droga. Posse de metralhadora e dispositivos destrutivos.


3-Posse de metralhadora e dispositivos destrutivos

Todos os réus são acusados por este crime. Eles teriam violado, de 1999 a 2025, leis federais norte-americanas específicas de armas ao usar, portar e auxiliar no uso de armas de fogo durante os crimes cometidos de tráfico de drogas. As armas, de acordo com o documento, incluem metralhadoras automáticas e outros dispositivos destrutivos.

4-Conspiração para Posse de Metralhadoras e Dispositivos Destrutivos

Também os 6 réus são acusados por este crime. Eles teriam violado, de 1999 a 2025, leis federais norte-americanas específicas de armas. O objetivo da conspiração era usar, portar e possuir armas durante crimes de tráfico de drogas, incluindo metralhadoras automáticas e outros dispositivos destrutivos.

ACUSAÇÃO DE 2020

Maduro e outros integrantes do governo venezuelano já haviam sido acusados pelo Departamento de Justiça dos EUA em 2020 pelos mesmos crimes, de acordo com a agência AP (Associated Press). Ações também foram foram apresentadas por promotores na Flórida. A nova acusação, impetrada no Tribunal do Distrito Sul de Nova York um pouco antes do Natal, e divulgada no sábado (3.jan), inclui a mulher de Maduro.

Inicialmente, o governo norte-americano havia oferecido uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à captura de Maduro e de US$ 10 milhões por informações relativas a Cabello. Em 2025, a recompensa foi aumentada para US$ 25 milhões e, depois, para US$ 50 milhões. Ao fazer o pronunciamento à nação acerca da captura e prisão de Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou que ninguém ganharia a recompensa.

PRÓXIMOS PASSOS

De acordo com o New York Times, Maduro e Flores deverão, em breve, ser levados perante um juiz federal em Manhattan e provavelmente se declararão inocentes. A possibilidade é que o magistrado determine a detenção de ambos enquanto aguardam um novo julgamento, que pode levar mais de 1 ano.

Apesar de Bondi ter divulgado a nova acusação suplementar de Nova York, na entrevista a jornalistas, Trump falou sobre a possibilidade de eles serem julgados em Miami. “Eles vão, em última análise, para Nova York, e então será tomada uma decisão, presumo, entre Nova York e Miami ou Flórida”, disse Trump, sem entrar em detalhes.

Não há ainda informações se o líder venezuelano e a ex-primeira-dama contrataram advogados ou se terão defensores designados pelo Tribunal norte-americano. Ainda segundo o Times, caso o processo permaneça em Manhattan, o gabinete de Clayton será responsável pelo processo. O caso foi atribuído ao juiz Alvin Hellerstein, na corte federal há quase 30 anos, nomeado pelo ex-presidente Bill Clinton (Partido Democrata). O Distrito Sul de Nova York foi o cenário de julgamentos de réus notórios, como o ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, recentemente perdoado por Trump.

 

FONTE/CRÉDITOS: P

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