O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já teve duas conversas diretas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), mas ainda não teve a sinalização de um acordo comercial com a Casa Branca. Depois de telefonema em 6 de outubro e da reunião bilateral na Malásia, o discurso do governo brasileiro é de otimismo, mas faltam indicativos.
Com isso, já se vão 23 dias sem progresso desde o início das conversas de alto nível entre Brasil e EUA, o que coloca o Brasil atrás de 5 países que foram mais eficientes nas negociações com o líder norte-americano.
Além disso, ao menos 10 países e a União Europeia levaram mais tempo, mas já concluíram acordos sobre as tarifas impostas por Trump.
Filipinas, Indonésia e Reino Unido fecharam acordos comerciais com os Estados Unidos logo depois da 1ª reunião direta entre os chefes de Governo e Trump. Já a trégua com a China foi anunciada 6 dias depois da ligação entre o republicano e o presidente Xi Jinping, em junho –apesar da nova escalada este mês. A presidente do México, Cláudia Sheinbaum, levou duas semanas para conseguir que os EUA adiassem por 3 meses as tarifas sobre o vizinho.
Trump já fechou mais de uma dezena de acordos comerciais desde o tarifaço de 2 de abril, quando anunciou as chamadas “tarifas recíprocas” a todos os parceiros econômicos dos EUA. Desde então, adota uma estratégia padrão: telefones e encontros presenciais seguidos de um post nas redes sociais anunciando um acordo comercial. Com o Brasil, isso não aconteceu.
Depois da ligação do dia 6, Trump publicou em seu perfil no Truth Social que a conversa com Lula havia sido “muito boa” e que os países teriam novas conversas. Depois da reunião com o petista em Kuala Lumpur, o republicano voltou a falar em “ótima reunião”, mas disse que não sabe os próximos passos da negociação. “Eles gostariam de fechar um acordo. Vamos ver”, declarou. Não houve post nas redes.
Nem mesmo o adiamento da taxa extra de 40% foi alcançado. A alíquota foi aplicada em agosto por causa da insatisfação da Casa Branca com o processo judicial que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado e soma-se aos 10% anunciados em abril. Com isso, os produtos brasileiros são taxados atualmente em 50%.
VAI E VOLTA
Os anúncios de pactos comerciais por parte de Trump não são garantias. O acordo com o Reino Unido, por exemplo, foi travado por discordâncias acerca da tarifa cobrada sobre a importação do aço, o que levou a 3 novas reuniões entre Trump e o primeiro-ministro Keir Starmer, uma delas resultou num acordo paralelo voltado ao setor de tecnologia.

Comentários: