Pesquisa “Cenários da Saúde Física e Mental dos Servidores do Sistema Penitenciário Brasileiro”, realizada com mais de 22 mil servidores entrevistados em todas as unidades da federação, reforça a importância de políticas públicas.
Os dados mostram que a maioria dos profissionais atua há 11 anos ou mais no sistema, sendo que 53% trabalham diretamente na custódia de pessoas privadas de liberdade.
No campo da saúde mental, os números também chamam atenção: Quase metade (46,7%), afirmou ter sentido medo relacionado ao trabalho recentemente; 34,3% afirmaram sentir exaustão muitas vezes, enquanto 10,3% relataram exaustão constante.
Além disso, 37,7% disseram não acordar revigorados com frequência. O sentimento de desvalorização também é expressivo: 83,7% consideram que seu trabalho é pouco reconhecido pela sociedade.
Em relação à saúde física, 55% relataram dores musculares frequentes nas duas semanas anteriores à pesquisa, e doenças como hipertensão, obesidade e problemas ortopédicos figuram entre os diagnósticos mais comuns.
Apesar dos desafios, o ambiente interno apresenta aspectos positivos, com 87,5% avaliando bem a convivência com colegas e 76,5% aprovando a relação com as chefias.
O estudo foi promovido pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, e operacionalizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no âmbito do Projeto Valoriza: Saúde em Foco.
Para o Secretário Nacional de Políticas Penais, André Garcia, os resultados da pesquisa reforçam uma urgência que o país já não pode ignorar:
“A pesquisa nos oferece um retrato inédito e necessário sobre a saúde física e emocional dos servidores penitenciários. Estamos falando de profissionais que sustentam uma estrutura essencial para a segurança pública e que, por muito tempo, tiveram suas necessidades ignoradas. Os dados mostram que cuidar desses trabalhadores não é apenas uma questão de bem-estar, mas uma condição para o funcionamento legal, estável e eficiente do sistema prisional. A partir deste diagnóstico, consolidamos um compromisso: aprimorar as ações já iniciadas, ampliar o cuidado e garantir que cada servidor tenha as condições necessárias para exercer sua função com dignidade e qualidade. Valorizar quem está na linha de frente é fortalecer a segurança pública no país”.
Para Sandro Abel Sousa Barradas, diretor de Políticas Penitenciárias da Senappen, os resultados consolidam um diagnóstico essencial para orientar decisões estratégicas:
“A pesquisa confirma, com evidências consistentes, aquilo que as equipes já vinham sinalizando ao longo dos últimos anos. Esse levantamento nos permite avançar na agenda do pena justa a partir de dados concretos e fortalecer políticas de cuidado que impactam diretamente o bem-estar, a valorização e o desempenho dos servidores”.
