O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, transmitiu à mãe uma ordem atribuída ao pai, Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, para “fechar a política”.
A mensagem foi encontrada por investigadores da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) no celular de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe de Oruam.
Os investigadores da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) encontraram no aparelho mensagens trocadas entre Márcia e o rapper. A coluna obteve trechos dessas conversas.
Em uma delas, Oruam transmite o que teria ouvido do pai após visitá-lo, em março de 2025, no Presídio Federal de Campo Grande (MS).
“Meu pai mandou fechar a política.”
Marcinho VP
Para os investigadores, a mensagem indica que Marcinho VP teria poder para interferir diretamente em atividades políticas realizadas em áreas sob influência do CV, mesmo estando preso há mais de duas décadas.
O relatório não esclarece, no entanto, quais atividades seriam atingidas pela ordem nem identifica políticos, partidos ou campanhas eleitorais envolvidos. O caso ainda é investigado.
Em outra conversa, Márcia comenta que o outro filho, Lucas Nepomuceno, estaria utilizando a influência do pai e “correndo atrás” dos próprios interesses.
Oruam, segundo a polícia, questiona como poderia fazer o mesmo, uma vez que o irmão já “teria pego tudo para ele”.
A DRE interpreta o diálogo como indício de uma disputa entre os irmãos pelo acesso aos recursos e à influência de Marcinho VP.
Para os investigadores, as mensagens reforçam a suspeita de que o traficante mantém participação ativa na administração de interesses ligados ao Comando Vermelho, apesar de estar preso.
As mensagens também revelaram detalhes sobre a movimentação de recursos atribuídos a Marcinho VP.
Em uma conversa com a mãe, Oruam relata ter ido a um ponto de controle territorial de traficantes no Complexo do Alemão para receber dinheiro da chamada “caixinha” pertencente ao pai.
Segundo a investigação, a expressão é utilizada para se referir a valores movimentados pela organização criminosa.
Os policiais apontam que Oruam e Lucas mantinham contato com lideranças do CV, incluindo Edgar Alves de Andrade, o Doca, e Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha.
A investigação também identificou pedidos de dinheiro feitos por Márcia a integrantes da facção.
Em um dos episódios, a companheira de Marcinho VP teria solicitado R$ 10 mil a Doca para pagar uma fatura de cartão de crédito.
Em outra conversa, Márcia pediu que Luiz Paulo Silva de Souza, conhecido como Magrão, transmitisse a Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, uma solicitação de dinheiro para despesas familiares.
O pedido envolvia R$ 8 mil para um chá de bebê e R$ 20 mil para a compra de móveis, totalizando R$ 28 mil.
Segundo a investigação, Márcia orientou que os valores fossem posteriormente descontados de “Nego”, apelido atribuído a Marcinho VP.
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