O ex-policial militar Ronnie Lessa disse em sua delação à Polícia Federal que as pessoas contratadas para matar a vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) receberiam loteamentos no Rio que valiam R$ 100 milhões.
“Não é uma empreitada para você chegar ali, matar uma pessoa, ganhar um dinheirinho. Não. […] Era muito dinheiro envolvido. Na época, ele falou em R$ 100 milhões”, declarou Lessa.
O ex-policial afirmou ter sido contratado pelo deputado federal Chiquinho Brazão (União Brasil-RJ) e seu irmão, Domingos Brazão, que é conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Rio de Janeiro) para assassinar Marielle. Ambos estão presos.
Segundo a delação, os matadores receberiam 2 loteamentos na Zona Oeste do Rio. Lessa afirmou que o objetivo era instaurar uma milícia no local e lucrar com produtos e serviços clandestinos. Também há menção a uma possível influência eleitoral.
“Então ali já teria a exploração de gatonet, a exploração de cones, a exploração de… qualquer outra coisa que a milícia explora. Venda de gás. […] A questão valiosa ali é o que? É depois, é a manutenção da milícia porque a manutenção da milícia vai trazer voto”, disse o ex-policial.
A motivação para realizar um crime seria um suposto interesse de Marielle de interromper uma expansão do negócio miliciano, de acordo com Lessa: “A Marielle foi colocada assim como uma pedra no caminho”.
O ex-policial relatou ter se encontrado com os irmãos Brazão 3 vezes para planejar o crime. Afirmou que Domingos foi mais ativo nas conversas. Teriam, segundo o ex-policial, encontrado-se em uma rua escura do Rio para realizar as negociações, mas a PF não comprovou a existência dos encontros no local.
