Uma pesquisa divulgada pelo Observatório Fundação Itaú, revela que 77% dos brasileiros consideram o país muito desigual, enquanto apenas 2% acreditam que não há disparidades sociais.
Entre os fatores mais apontados como causas da desigualdade estão a falta de políticas públicas (24%), má gestão (18%), corrupção (12%) e desemprego ou desvalorização da mão de obra (10%). A má distribuição de renda foi citada por apenas 7%.
A percepção de alta desigualdade é mais frequente entre mulheres (82%), pessoas das classes C (78%) e D/E (77%), com ensino fundamental (79%), e com mais de 45 anos (acima de 80%).
O estudo — intitulado “Percepções sobre as Desigualdades no Brasil” — foi conduzido com apoio do Datafolha e da consultoria Plano CDE, e traz uma análise em três dimensões:
- Cultural: 76% acreditam que a impunidade na corrupção contribui para a desigualdade.
- Estrutural: 70% dizem que as leis e a economia favorecem os mais ricos.
- Histórica: 47% concordam plenamente que a desigualdade racial decorre do passado escravagista do país.
A maioria também percebe que brancos têm mais acesso a oportunidades do que negros, especialmente em áreas como emprego (68%), educação de qualidade (63%) e moradia em bairros estruturados (60%).
Além disso, 55% acreditam que homens têm mais chances de conquistar empregos com bons salários do que mulheres.
Para 79% dos entrevistados, investir em educação pública é essencial para reduzir a desigualdade. Já 59% avaliam que a falta de investimento em educação perpetua a pobreza entre gerações.
Outro dado relevante é que 60% dos brasileiros começaram a trabalhar antes dos 18 anos. Embora 62% digam que isso ajudou em suas carreiras, 34% relatam que os estudos foram prejudicados — esse impacto foi maior entre os mais pobres (51% na classe D/E).
Metodologia
A pesquisa teve duas etapas:
- Qualitativa: realizada entre agosto e setembro de 2024, com 150 pessoas em cinco capitais.
- Quantitativa: feita em junho de 2025 com 2.787 pessoas acima de 18 anos, em amostra nacional.
A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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