O jornal O Estado de S. Paulo destacou em editorial, no dia de Finados, a declaração do presidente nacional do PT, Edinho Silva, de que o partido passará por “mudanças profundas”. garantindo que o partido “não vai ser um amontoado de projetos pessoais, não vai ser instrumento de enriquecimento pessoal”.
O Estadão considera essa fala uma confissão embaraçosa. O maior partido de esquerda do País, que já comandou a Presidência por muitos anos e ocupou milhares de postos, sente necessidade de anunciar como horizonte de transformação algo que qualquer partido republicano deveria tratar como cláusula de entrada: não existir para enriquecer seus próprios integrantes.
O editorial menciona a expressão “Partido da Boquinha”, cunhada por Anthony Garotinho em 1999, que reaparece — desta vez pela boca dos próprios petistas. Reconhecer o problema é melhor do que negá-lo, mas a sinceridade cobra preço: o PT terá grande influência sobre a máquina federal no próximo mandato de Lula, e é nas nomeações, diretorias, conselhos e estatais que se verá se a declaração era princípio ou apenas liturgia. Para um partido que se imaginou portador do futuro, voltar a uma lição tão primária é descrito como uma humilhação.
O editorial lembra que o próprio Edinho, ao assumir o comando em 2025, já havia dito que a legenda não fora criada para “projetos pessoais” nem para “ascensão social”, e que Lula, em 2015, criticou o PT por estar “velho e viciado em poder”, obcecado por “cargo, em emprego, em ser eleito”.
A declaração de Edinho funciona como um “peteleco” nessa mitologia messiânica de “reserva moral” sepultada há nos pelo PT. Antes de discutir soberania, desigualdade, inteligência artificial ou o futuro da classe trabalhadora, o partido precisaria ensinar aos seus quadros que cargo público não é prêmio, estatal não é balcão partidário e governo não é agência de colocação profissional.
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