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Quarta-feira, 04 de Novembro 2026
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Jornal vê ‘Partido da Boquinha’ ressurgir em palavras do presidente do PT

Declaração de Edinho funciona como “peteleco” na mitologia messiânica de "reserva moral" sepultada pelo PT há anos

Jornal vê ‘Partido da Boquinha’ ressurgir em palavras do presidente do PT
Foto Antonio Cruz/ABr.
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O jornal O Estado de S. Paulo destacou em editorial, no dia de Finados, a declaração do presidente nacional do PT, Edinho Silva, de que o partido passará por “mudanças profundas”. garantindo que o partido “não vai ser um amontoado de projetos pessoais, não vai ser instrumento de enriquecimento pessoal”.

O Estadão considera essa fala uma confissão embaraçosa. O maior partido de esquerda do País, que já comandou a Presidência por muitos anos e ocupou milhares de postos, sente necessidade de anunciar como horizonte de transformação algo que qualquer partido republicano deveria tratar como cláusula de entrada: não existir para enriquecer seus próprios integrantes.

O editorial menciona a expressão “Partido da Boquinha”, cunhada por Anthony Garotinho em 1999, que reaparece — desta vez pela boca dos próprios petistas. Reconhecer o problema é melhor do que negá-lo, mas a sinceridade cobra preço: o PT terá grande influência sobre a máquina federal no próximo mandato de Lula, e é nas nomeações, diretorias, conselhos e estatais que se verá se a declaração era princípio ou apenas liturgia. Para um partido que se imaginou portador do futuro, voltar a uma lição tão primária é descrito como uma humilhação.

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O editorial lembra que o próprio Edinho, ao assumir o comando em 2025, já havia dito que a legenda não fora criada para “projetos pessoais” nem para “ascensão social”, e que Lula, em 2015, criticou o PT por estar “velho e viciado em poder”, obcecado por “cargo, em emprego, em ser eleito”.

A declaração de Edinho funciona como um “peteleco” nessa mitologia messiânica de “reserva moral” sepultada há nos pelo PT. Antes de discutir soberania, desigualdade, inteligência artificial ou o futuro da classe trabalhadora, o partido precisaria ensinar aos seus quadros que cargo público não é prêmio, estatal não é balcão partidário e governo não é agência de colocação profissional.

FONTE/CRÉDITOS: DP

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