Os partidos União Brasil e Progressistas (PP) registraram na semana passada, o requerimento de formação da Federação União-Progressista junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O pedido, assinado pelas executivas nacionais das duas partes, representa o primeiro passo formal para a consolidação de uma das maiores alianças partidárias do País. Juntos, têm 108 deputados federais e 13 senadores, além de uma extensa rede de prefeitos e vereadores em todo o território nacional.
Embora a vontade das partes seja declaratória – ou seja, basta oficializar o desejo mútuo dos partidos perante a Justiça Eleitoral para que a federação seja reconhecida –, o processo ainda depende de análise técnica pelo TSE. Até o momento, não há relator designado para o caso, tampouco uma decisão judicial. Fontes do tribunal indicam que, em casos semelhantes, o deferimento pode ocorrer em poucas semanas, desde que atendidos os requisitos legais.
A federação União-Progressista será o maior bloco da Câmara dos Deputados, superando o PL (81 representantes), do ex-presidente Jair Bolsonaro. No Senado, ocuparia a segunda posição, atrás do PSD (15 senadores).
As negociações para a federação intensificaram-se ao longo de 2025, impulsionadas pelo presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, e pelo presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Rueda, em declaração à imprensa após o protocolo, enfatizou a importância da união para “fortalecer a governabilidade e ampliar a representação popular”. Ciro Nogueira, por sua vez, destacou que a aliança visa “otimizar recursos partidários e coordenar estratégias eleitorais”, especialmente visando as disputas municipais de 2026.
Fundos da União-Progressista
Estimativas preliminares apontam que a federação União-Progressista poderia acessar cerca de R$ 1,2 bilhão em recursos públicos para campanhas em 2026, posicionando-a como a mais rica do espectro político.
O requerimento protocolado inclui um estatuto que prevê rodízio na presidência – com Rueda no comando inicial por dois anos – e a formação de um conselho político com 50 membros, distribuídos proporcionalmente às bancadas (30 do União Brasil e 20 do PP). As siglas manteriam suas identidades visuais e numerações (44 e 11), mas atuariam como uma única entidade em votações congressuais e na propaganda eleitoral, caso o TSE aprove.
A movimentação ocorre em um momento crucial, a menos de um ano das eleições majoritárias de 2026. Ambos os partidos romperam laços com o governo Lula (PT) e também deixaram cargos que ocupavam na Esplanada petista.

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