A Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo denunciou o perito Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes (STF), e o juiz Peter Eckschmiedt.
Eles são investigados por participação em uma organização criminosa que teria desviado heranças e valores milionários de idosos com doenças graves.
O documento da denúncia tem 162 páginas e foi protocolado em 8 de agosto, mas só se tornou público na semana que passou. O procurador-geral Paulo Sérgio de Oliveira e Costa afirmou que o juiz era peça-chave no esquema. Segundo ele, Eckschmiedt autorizava decisões que liberavam transferências e saques dos valores das heranças para contas controladas pelos envolvidos.
A denúncia também foi assinada pelo subprocurador-geral Sérgio Turra Sobrane. Nela, o Ministério Público pede a perda definitiva do cargo de Eckschmiedt, o que pode levar à cassação de sua aposentadoria. O Tribunal de Justiça já havia aposentado o juiz compulsoriamente em maio, recebendo apenas valores proporcionais ao tempo de serviço.
Em agosto de 2023, uma operação em Jundiaí apreendeu R$ 1,7 milhão em espécie na residência de Eckschmiedt. Segundo a acusação, desde o início do ano passado, ele teria planejado desviar recursos de heranças sob sua responsabilidade judicial. O esquema, de acordo com a denúncia, usava títulos falsificados atribuídos de forma indevida.
Em nota, a defesa de Tagliaferro criticou o processo. “A denúncia oferecida contra o Sr. Eduardo Tagliaferro é deplorável”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo. A equipe ainda afirmou que se trata de “uma tentativa de perseguir quem já esta sendo perseguido e asfixiar quem tem muito a dizer e esclarecer”.

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