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Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

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Deputados aprovam anulação de R$ 7 bilhões em multas de Moraes a caminhoneiros

O texto ainda precisa passar pelo Senado

Deputados aprovam anulação de R$ 7 bilhões em multas de Moraes a caminhoneiros
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Com a aprovação da medida provisória (MP) 1.343/2026, a Câmara dos Deputados abriu caminho para a anistia das multas aplicadas a caminhoneiros por bloqueios de rodovias em 2022, que somam R$ 7,1 bilhões.

A suspensão das penalidades foi incluída no texto, editado originalmente pelo Executivo, pelo relator da proposta, deputado Zé Trovão (PL-SC). A MP do governo, publicada em março, estabelecia apenas regras para reforçar a fiscalização do piso mínimo do frete.

No substitutivo do relator, o artigo 9º estabelece a anulação de “multas aos transportadores de cargas, pessoas físicas e jurídicas, e a motoristas que tenham sido penalizados em decorrência de sua participação em manifestações, bloqueios ou atos correlatos ocorridos no território nacional no ano de 2022”.

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As penalidades têm origem em diversas decisões judiciais tomadas por todo o país após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a desobstrução de rodovias ocupadas por protestos contrários ao resultado eleitoral, que deu vitória ao atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na época, o ministro Alexandre de Moraes fixou multa de até R$ 100 mil por hora para os proprietários dos veículos utilizados nas interdições e determinou a atuação de autoridades federais e estaduais para desobstruir as rodovias.

Em março deste ano, o ministro expediu cartas de ordem às instâncias da Justiça Federal de cada estado, determinando que a cobrança das multas seja realizada conforme o domicílio de cada devedor.

O valor das multas chama a atenção pelo montante total, que chegou a R$ 7,1 bilhões – a cifra corresponde a mais de 40% da receita total do setor de transporte rodoviário de cargas em um mês.

Para se ter uma ideia, o valor é quase seis vezes o da multa imposta ao grupo JBS, após acordo de leniência, por esquemas de propina revelados no âmbito da Lava Jato (R$ 1,2 bilhão).

"Dignidade a quem transporta o Brasil nas costas", diz relator

Durante a votação do substitutivo de Zé Trovão no plenário da Câmara, houve críticas ao dispositivo que prevê a anulação das multas. O deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ) orientou a bancada a votar pela retirada do trecho, que chamou de “jabuti”, por meio de um destaque.

“Sabem para o que é esse jabuti enfiado aqui pela extrema-direita? É para anistiar das multas aqueles que tentaram sabotar as eleições de 2022 e retirar no tapetão, numa obra de sabotagem para impedir os eleitores de chegarem às urnas no Nordeste brasileiro e tentar ganhar a eleição na mão grande, preparando o golpe que viria no 8 de Janeiro”, disse.

O relator, por sua vez, defendeu a medida. “Nós vimos, em 2022, caminhoneiros que foram obrigados a parar e, depois, foram multados por estarem parados e que receberam multas milionárias: R$ 3 milhões, R$ 4 milhões, R$ 5 milhões, R$ 6 milhões. Então nós estamos aqui defendendo esses guerreiros, para que essas pessoas não vivam mais sob esse jugo”, afirmou o deputado.

“Nós somos favoráveis a uma única coisa: que seja feita a maior festa de todos os tempos hoje, em todo o Brasil, porque estamos dando dignidade a quem transporta o Brasil nas costas com muito suor, garra e força de vontade.”

Na proposta de Zé Trovão, que agora será analisada pelo Senado, a anistia envolve multas aplicadas por decisões judiciais ou administrativas e sanções civis e administrativas, inclusive quando o valor já estiver inscrito em dívida ativa.

Além disso, todas as cobranças que ainda estão em andamento devem ser suspensas imediatamente após a publicação da lei.

O Senado precisa votar o texto até 16 de julho, quando a medida provisória perde validade caso não tenha sido aprovado por ambas as casas legislativas.

FONTE/CRÉDITOS: AGZT
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