O deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos-PR) afirmou que cobrou oficialmente da Procuradoria-Geral da República (PGR) que de forma coerente a respeito dos impropérios disparados contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, em discursos do deputado André Janones (Avante-MG) e do ministro das Comunicações do governo de Lula, Paulo Pimenta. Os ofícios do parlamentar paranaense que coordenou a Operação Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF) foram protocoladas.
Dallagnol argumenta que Janones e Pimenta devem ter o mesmo tratamento que a PGR deu aos senadores Sergio Moro (União-PR) e Jorge Kajuru (PSB-GO), pelos fatos de o deputado mineiro e o ministro petista terem insultado o ministro do STF com expressões que podem configurar crime de difamação.
“Nos últimos dias, descobrimos que Janones chamou o ministro Gilmar Mendes de ‘canalha’ que decide ‘em favor de amigos’, e que Paulo Pimenta chamou o ministro de ‘golpista’, ‘jagunço’, ‘tucano de toga’ e o acusou de proteger amigos com o cargo”, relatou Deltan. “Esperamos que o posicionamento da PGR seja coerente com a postura adotada nos casos dos senadores Sergio Moro e Jorge Kajuru”, concluiu o deputado paranaense.
Incoerência questionada
O ex-procurador da Lava Jato cobra coerência do titular da PGR, Augusto Aras, porque a instituição acusou o senador Moro de crime de calúnia, quando brincava sobre “cadeia de festa junina” em vídeo vazado com recorte de sua fala sugerindo que compraria um habeas corpus do ministro de Gilmar Mendes. Bem como pela decisão da PGR de desistir do pedido para arquivar um inquérito que apura falas com termos pejorativos do senador Kajuru, comparando palestras realizadas pelo ministro do STF a “venda de sentença”.
Nos dois ofícios que protocolou, Dallagnol questiona Aras se o ministro Gilmar Mendes apresentou representação contra os insultos do deputado mineiro e do ministro de Lula. E pergunta se, em caso de reclamação do ministro do STF, foi adotada alguma providência contra André Janones e Paulo Pimenta. E ironiza: “Também será oferecida denúncia contra eles em prazo recorde de 3 dias?”, em referência à agilidade da denúncia contra Moro.
Dallagnol pede que, se não existir representação do ministro, que seja feita consulta a Gilmar Mendes pra que informe se deseja apresentar representação a respeito desses fatos.
Ataques a Gilmar Mendes
A publicação de Dallagnol sobre sua cobrança à PGR indica reportagem de Lauro Jardim, de O Globo, que detalha que os ofícios citam os insultos contra Gilmar Mendes. O documento indica as falas de Janones em sessão da CPI de Brumadinho, em 2019, quando o deputado mineiro chamou o ministro do STF de “canalha” e ainda acusou Gilmar Mendes de decidir favorecendo “um amigo pessoal”.
A respeito de Paulo Pimenta, Dallagnol indica uma declaração pública do ministro das Comunicações acusando Gilmar Mendes de ser “peça-chave do golpe” (processo de impeachment) contra Dilma Roussef, e de estar a serviço de partidos políticos.
