O crime organizado tem se infiltrado em diferentes cadeias produtivas de combustíveis no Brasil e pode expandir sua atuação para o mercado de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo). O alerta foi feito nesta 3ª feira (23.set.2025) durante o painel “Decifrando o Código: Enfrentando a Ilegalidade e a Informalidade no Mercado de GLP da América Latina”, na Liquid Gas Week, realizada no Rio de Janeiro. Segundo Emerson Kapaz, CEO do ICL (Instituto Combustível Legal), o impacto econômico da atuação de facções e milícias no setor energético já supera o tráfico de drogas em alguns territórios.
“Foi assustador para nós também, no volume de bilhões de reais, comparado com a questão da cocaína, por exemplo, por causa de combustíveis. […] Eu venho me expondo completamente falando do envolvimento do crime organizado em várias cadeias produtivas, mas em especial em combustíveis”, afirmou. Kapaz citou como exemplo a operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto e considerada a maior ação já realizada contra o PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis líquidos. A ação policial mirou criminosos que exploravam falhas na fiscalização para criar redes paralelas de distribuição, adulterar produtos e obter lucros ilícitos.
RISCO DA VENDA FRACIONADA O executivo alertou para os riscos da venda fracionada de gás de cozinha, atualmente analisada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Segundo ele, a fragmentação sem fiscalização adequada fragiliza a rastreabilidade dos botijões e abre espaço para comercialização clandestina, adulteração do produto, operação de redes paralelas e sonegação de impostos –de forma semelhante a observada na operação Carbono Oculto.
“O fracionamento, na minha opinião, vai facilitar a entrada do crime organizado dentro do segmento de GLP. Isso é uma questão importante, porque [os criminosos] vão usar isso nos territórios onde você não tem como fiscalizar esse fracionamento sem pagamento de imposto, ao preço mais baixo para o consumidor final”, disse.

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