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Domingo, 24 de Maio de 2026

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Traficante constrói ponte por menos de 10% do valor estimado pelo município do Rio de Janeiro

Diante da ameaça da Prefeitura de derrubar a construção, o recado: sairão na bala

Traficante constrói ponte por menos de 10% do valor estimado pelo município do Rio de Janeiro
Fotos redes sociais
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Cansados da espera e promessas, traficantes do Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, construíram uma ponte para ligar duas comunidades antes rivais: as favelas Cinco Bocas, em Brás de Pina, e Pica-pau, em Cordovil.

A obra na Avenida Schultz Wenk, sobre o Rio Irajá, não usou dinheiro público. Não teve participação da Prefeitura do Rio e nem indicação de vereadores da Câmara Municipal.

A promessa de construção passou pelos prefeitos Marcelo Crivela, Eduardo Paes e outros.

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Começou com custo de 3 milhões, passou para 4 milhões e chegou aos 5 milhões de reais.

O chefe do tráfico local contratou engenheiro, material, empreiteira e entregou a ponte por menos de 10% do que foi estimado pela prefeitura do Rio de Janeiro.

No local, a polícia investiga a ação do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, de 34 anos, para unir cinco comunidades: Cinco Bocas, Pica-pau, Cidade Alta, Vigário Geral e Parada de Lucas. A ideia é transformar no que já vem sendo chamado entre moradores de Complexo de Israel.

A ponte para a passagem de carro é a obra mais recente desta ação. Antes de Peixão, Cinco Bocas e Pica-pau era dominadas por facções rivais de traficantes. O problema era amenizado por não haver uma passagem de veículos ligando as duas favelas.

Antes da ponte para se chegar a um dos lados era necessário seguir até a Avenida Brasil ou na direção contrária até a rua Jorge Coelho, próximo à estação de trem. Agora, é diferente.

Segundo moradores, assim os traficantes da quadrilha de Peixão não se expõe de ir até a Avenida Brasil.

Complexo de Israel

Em cada uma das favelas do complexo, os criminosos exibem símbolos do Estado de Israel, como a bandeira do país e a estrela de Davi, instalados em pontos altos das comunidades, onde moram 134 mil pessoas.

Segundo as investigações, a tomada dos territórios foi feita durante a pandemia aproveitando o período de isolamento e a redução das ações policiais ocasionadas pela adoção de medidas por parte do Ministro Fachin do STF, que determinou que as operações em comunidades ocorressem em casos excepcionais.

As barricadas instaladas à beira da Avenida Brasil, impedem o acesso dos blindados. Elas trazem os símbolos de paz e amor, enquanto Peixão e seu bando espalham terror na região.

Em 2019, oito jovens foram assassinados pelo grupo. Foi durante uma invasão na Cinco Bocas, que na época não era dominada por Peixão. De acordo com as investigações, os jovens foram sequestrados e mortos.

A polícia diz que os corpos foram triturados e dados a porcos que vivem numa área de mangue de Parada de Lucas.

A favela de Parada de Lucas é do mesmo bando há décadas. Em 2007, invadiu Vigário Geral, comunidade vizinha.

Nove anos depois, em novembro de 2016, o bando cruzou a Avenida Brasil e chegou à Cidade Alta. Os confrontos duraram sete meses.

Em maio de 2017, a polícia interveio no confronto e prendeu 45 pessoas. Na ocasião, 32 fuzis foram apreendidos.

Na época, a quadrilha de Peixão incendiou nove ônibus e dois caminhões na Avenida Brasil, na Rodovia Washington Luiz e na Linha Vermelha. Na favela Cinco Bocas, a fé também é alvo dos bandidos.

Os moradores mais velho conhecem a região como a Vila Santa Edwiges. Uma referência à imagem da santa instalada na quadra da comunidade.

Quem vive na favela diz que comparsas de Peixão arrancaram e destruíram a imagem.O local onde a santa ficava está vazio. As religiões de matriz africana também são rejeitadas no complexo.

Peixão responde na Justiça por um ataque a um terreiro de candomblé, em abril de 2019, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

O templo ficou destruído. O babalorixá e os filhos de santo foram expulsos da casa. No muro, os criminosos deixaram uma mensagem: "Jesus é o dono do lugar".

Nenhuma religião é aceita a não ser a evangélica.

Peixão se intitula entre os criminosos como Arão, irmão de Moisés, da Bíblia. Seu braço-direito no crime é Jeremias. A sua quadrilha é chamada de "Tropa do Arão".

Na internet e nos muro da região são visto pintados símbolos de peixes junto às bandeiras de Israel.

FONTE/CRÉDITOS: Redação
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