O Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu um contrato de R$ 15,8 milhões firmado entre o Ministério do Trabalho e a ONG Unisol, ligada ao PT, para a retirada de resíduos da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A decisão foi tomada pelo ministro Benjamin Zymler após indícios de irregularidades no convênio, incluindo ausência de metas detalhadas, cronograma e justificativa para o pagamento antecipado integral.
A Unisol, que funciona em uma sala dentro do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), já recebeu os recursos, mas só prevê iniciar os trabalhos no segundo semestre. Entre seus dirigentes estão filiados ao PT e aliados do ex-presidente Lula, como Arildo Mota Lopes e Carlos José Duarte.
Zymler também determinou o bloqueio das contas da ONG e a suspensão de outro convênio semelhante com o Centro de Estudos e Assessoria (CEA). O TCU deu 15 dias para que os envolvidos apresentem justificativas e documentos que comprovem a execução dos contratos.
O processo de seleção da Unisol também foi questionado, já que cinco das dez organizações concorrentes foram desclassificadas. Apesar de um pedido do Ministério Público de Contas para afastar o secretário Gilberto Carvalho, ligado à área responsável pelo convênio, Zymler rejeitou a medida por considerar que não há elementos que prejudiquem a apuração.
