O homem denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na ação penal que apura o feminicídio da estudante de pós-graduação Catarina Kasten, de 31 anos, morta enquanto seguia para uma aula de natação na praia do Matadeiro, em Florianópolis, foi pronunciado e deverá ser julgado pelo Tribunal do Júri.
O crime ocorreu no dia 21 de novembro de 2025, quando Catarina foi encontrada morta com sinais de violência após não retornar para casa. O suspeito, um homem de 21 anos, foi preso e confessou o crime. Ele responde pelos crimes de feminicídio, estupro e ocultação de cadáver, com qualificadoras e agravantes. A denúncia contra o acusado foi apresentada pela 36ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital à Justiça no dia 1º de dezembro e recebida no dia cinco do mesmo mês, dando curso à ação penal.
Na sexta-feira (8/5), o réu foi pronunciado pela Justiça, ou seja, as acusações de crime contra a vida contidas na denúncia do Ministério Público foram julgadas admissíveis e a ação penal foi encaminhada para ser julgada pelo Tribunal do Júri, órgão do Poder Judiciário responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida — como homicídio, feminicídio e infanticídio. O Tribunal do Júri é formado por sete jurados sorteados entre cidadãos comuns, que representam a sociedade e decidem pela condenação ou absolvição do réu por meio de votação sigilosa.
O processo tramita em sigilo, por envolver crime de natureza sexual, e o acusado segue preso preventivamente, como requerido pelo Ministério Público nas alegações finais. A decisão é passível de recurso.
O crime
O assassinato de Catarina aconteceu no dia 21 de novembro de 2025, por volta das 7 horas, perto do acesso à praia do Matadeiro. Ela saiu de casa por volta das 6h50 para uma aula de natação. Ao perceber a demora de Catarina para retornar, o companheiro acionou a Polícia Militar por volta das 12h. Um homem de 21 anos foi preso e confessou o crime.
Segundo a denúncia, o acusado agiu com intenção de matar, envolvendo o pescoço da vítima com um objeto e causando a morte por asfixia. O crime foi cometido depois que a vítima foi violentamente abordada e estuprada e teve como objetivo garantir a ocultação e a impunidade do estupro.
A denúncia também aponta que o crime foi cometido mediante emboscada, pois o acusado, agindo de forma premeditada, se escondeu atrás de uma lixeira para observar a movimentação no local. Depois do feminicídio, ele arrastou o corpo para um ponto de difícil acesso e visualização, em meio à mata e às pedras, longe da trilha.
Catarina é tema de episódio da websérie “Ausências”
"Ausências" retrata histórias de vítimas de feminicídio e foi produzida pela Coordenadoria de Comunicação Social do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), com apoio do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas e do Escritório de Ciências de Dados Criminais. Entre os objetivos da websérie estão manter a memória das vítimas e aumentar a conscientização sobre a magnitude do tema.
A série dá rosto aos números apresentados no relatório Mapa do Feminicídio e conta com relatos de familiares e pessoas próximas a quatro mulheres, vítimas de feminicídio. Uma destas mulheres é Catarina Kasten.
Em caso de violência, denuncie!
Se você foi vítima de violência ou assédio, denuncie:
- na Promotoria de Justiça da sua cidade – confira os endereços e meios de contato neste link;
- Ouvidoria do MPSC: atendimento presencial, formulário on-line ou, para informações, disque 127;
- na delegacia de Polícia Civil da sua cidade;
- Também é possível entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Cidadão (SEAC) do MPSC pelo telefone (48) 3330-2570. Além disso, o MPSC conta com atendimento presencial em Florianópolis e Postos de Atendimento ao Cidadão em Lages, Joinville, Balneário Camboriú, Brusque e São José. Para conferir os endereços, clique aqui;
- Em caso de emergência, ligue para a Polícia Militar por meio do disque 190.

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