O recurso sob avaliação do governo Lula (PT) ao parceiraço Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar anular a decisão do Congresso que suspendeu o decreto do aumento ilegal do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), reforça a suspeita de analistas e de setores da oposição no sentido de que estaria em curso uma espécie de acordo do presidente da República com integrantes do Judiciário para, na prática, anular o papel do Poder Legislativo, começando por suas prerrogativas.
O projeto de decreto legislativo que anulou a alta do IOF está previsto na Constituição e autoriza ao Congresso anular atos do governo.
Sem votos, com uma bancada que não chega a cem deputados, Lula decidiu governar apenas com os aliados do STF, sem o Congresso.
O governo petista vem impondo decisões recusadas no Congresso, como a “regulação” das redes sociais, com todos os odores de censura.
Para o ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo, o governo Lula entrou em estado de entropia. “Agenda identitária-globalista-ambientalista-rentista entrou em colapso, sem qualquer chance no Congresso”, cravou.
Aldo Rebelo, que foi ministro da Defesa e do Esporte, explica um dos motivos da derrota de Lula no Congresso: “Alcolumbre é do Amapá, e lá Marina [Silva] bloqueou a Margem Equatorial. Taí o resultado”.
Não colou no PT a desculpa de Rui Falcão (PT-SP) ao votar pela derrubada do aumento do IOF, proposta da dupla Lula e Fernando Haddad (Fazenda). O deputado jura que apertou o botão errado.
