Delegado Anselmo Crus -DRAS/DEC
A Polícia Civil de Caxias do Sul, por intermédio da 1ª Delegacia de Polícia, deflagrou a Operação Omertà nesta data, cumprindo sete mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão, em ações simultâneas realizadas em Caxias do Sul (RS) e Imbituba (SC).
As diligências no Estado de Santa Catarina contaram com o apoio da DECAP – Delegacia de Capturas e da DRAS – Delegacia de Roubos e Antissequestro, ambas pertencentes ao DEIC da Polícia Civil de Santa Catarina, que auxiliaram na localização e captura de um investigado que havia fugido para aquele Estado.

As investigações apontaram que os crimes tinham como motivação a cobrança de dívidas diversas, abrangendo tanto débitos relacionados ao tráfico de drogas quanto dívidas contraídas com agiotas, que terceirizavam o serviço de cobrança violenta, contratando o torturador e seus comparsas para intimidar, ameaçar e agredir as vítimas.
A ofensiva marca o avanço das apurações iniciadas após a prisão do primeiro suspeito, identificado como torturador. Ele foi capturado após a recuperação de vídeos em seu aparelho celular, nos quais aparecia agredindo e ameaçando vítimas mantidas em cativeiro entre maio e agosto deste ano. No cumprimento do mandado de busca, foram apreendidos entorpecentes, celulares, instrumentos idênticos aos utilizados nas agressões — como um pé de cabra e um bastão — além de roupas semelhantes às vistas nas gravações e máquinas de choque, reforçando a materialidade dos fatos e o modus operandi empregado nas sessões de tortura.
A partir da análise aprofundada do material probatório, a 1ª DP identificou o segundo participante das ações criminosas, responsável por auxiliar no sequestro, na logística e na filmagem das torturas. Após fugir para Santa Catarina, ele foi localizado e preso em ação conjunta entre a equipe da 1ª DP de Caxias do Sul e policiais da DECAP e DRAS, unidades especializadas do DEIC/PCSC.
Também foi capturado, no bairro Bela Vista, em Caxias do Sul, um homem apontado como contratante do torturador. Ele é investigado por ordenar a cobrança violenta de uma dívida e suspeito de ter mandado espancar uma vítima no bairro Lourdes, em maio deste ano.
O terceiro investigado preso, detido em sua residência no bairro Desvio Rizzo, é apontado por realizar cobranças com extrema violência. Em um dos episódios já documentados, teria invadido a residência de uma vítima, colocado-a de joelhos diante das filhas menores, apontado uma arma contra sua cabeça e gravado um vídeo exigindo o pagamento de dívidas vinculadas à agiotagem praticada na cidade.
Por fim, teve sua prisão preventiva decretada o quarto investigado, o torturador já identificado na primeira fase das diligências, após a consolidação de provas contundentes que confirmaram sua participação direta nos crimes investigados.
Ao todo, desde o início das ações, cinco pessoas foram presas no âmbito da Operação Omertà, que resultou na elucidação de crimes de tortura, sequestro e extorsão praticados pelo grupo criminoso. Os detidos serão encaminhados ao sistema prisional e permanecerão à disposição do Poder Judiciário.
O inquérito policial será concluído no prazo legal, com o encaminhamento integral das provas aos órgãos judiciais competentes.
A escolha do nome Omertà faz referência ao tradicional código de silêncio e honra associado às organizações mafiosas do sul da Itália, caracterizado pela proibição de colaboração com autoridades — seja por lealdade ou medo — e pela punição severa aos que rompem o pacto. O nome simboliza o caráter clandestino, o método violento e o silêncio imposto pelo grupo investigado.

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