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Sexta-feira, 16 de Outubro 2026
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FAB põe 100 anos de sigilo em lista de passageiros de jato de Vorcaro

Quais seriam os motivos que querem tanto esconder

FAB põe 100 anos de sigilo em lista de passageiros de jato de Vorcaro
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A Força Aérea Brasileira (FAB) impôs sigilo de 100 anos sobre a lista de passageiros de uma aeronave do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Em resposta a um pedido de Lei de Acesso à Informação (LAI), o Comando da Aeronáutica explicou que é necessário proteger “a intimidade e a vida privada” desses passageiros e invocou o artigo 31 da LAI, que estabelece o sigilo centenário. Nas eleições de 2022, o então candidato Lula (PT) havia prometido, se eleito, acabar com o dispositivo, previsto desde a publicação da lei, em 2011. A promessa, contudo, não foi cumprida.

Avião de Vorcaro, avaliado em R$ 200 milhões, foi apreendido no pátio do Aeroporto de Guarulhos
Avião de Vorcaro, avaliado em R$ 200 milhões, foi apreendido no pátio do Aeroporto de Guarulhos

Na solicitação via LAI, a FAB foi questionada sobre o plano de voo da aeronave de prefixo PS-FST entre 10 e 20 de novembro de 2025. Foi nesse intervalo que Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos prestes a embarcar no jato, um Falcon 7X, rumo a Malta, na Europa.

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“O itinerário de uma aeronave individualizada, em datas determinadas, permite associar deslocamentos aos dirigentes, sócios e demais usuários da aeronave, pessoas naturais identificáveis mediante o cruzamento com registros públicos. A proteção, portanto, alcança a intimidade e a vida privada desses titulares”, afirmou o Comando da Aeronáutica.

“Ademais, o histórico individualizado de planos de voo de uma mesma aeronave, em sequência, permite o rastreamento retrospectivo e a construção de perfil de deslocamento dessas pessoas, o que agrava a afetação à intimidade e à vida privada”, prosseguiu a Força.

Exército, Banco do Brasil e Secom também impuseram sigilo centenário

Não se trata, porém, de um caso isolado. Levantamento realizado pela coluna identificou outros pedidos relevantes nos quais foi aplicado o mesmo sigilo de 100 anos por órgãos do governo Lula.

O Exército, por exemplo, negou, em agosto deste ano, a lista de escolha para promoção de oficiais generais enviadas ao presidente da República com base no seguinte argumento: “Trata-se de informações de caráter reservado, que envolvem questões particulares e dados pessoais relativos à vida profissional de Oficiais e Oficiais-Generais com mais de 30 anos de serviços prestados à Nação, razão pela qual sua divulgação não se mostra adequada, como se se tratasse de informações de natureza comum”.

O Comando do Exército também aplicou o sigilo de 100 anos sobre eventuais comunicações dos militares com o grupo Palantir, uma empresa de análise de dados que foi contratada pelo governo dos Estados Unidos por até US$ 10 bilhões.

O Banco do Brasil, por sua vez, usou o mesmo cadeado centenário para esconder os nomes dos visitantes da presidência da estatal nos últimos anos. Já a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) utilizou o dispositivo para barrar a divulgação dos nomes de autoridades, servidores ou agentes públicos que realizaram o serviço de media training, desde 2021, no âmbito de um contrato público. O Ministério da Pesca decidiu esconder, sob a mesma regra, os beneficiários do Programa de Subvenção Econômica ao Preço do Óleo Diesel para Embarcações Pesqueiras Nacionais.

De acordo com painel da LAI divulgado pela CGU, o governo federal negou desde 2023 cerca de 5,6 mil pedidos por conter “dados pessoais”, o que, em tese, configuraria esse sigilo de 100 anos. Houve uma queda em relação ao governo Bolsonaro, quando 7,1 mil pedidos foram negados com base nesse mesmo dispositivo.

A maioria desses pedidos, no entanto, trata de solicitações relativas a informações pessoais de cidadãos comuns sem relevância pública, como dados individuais de beneficiários de programas sociais, de estudantes e de trabalhadores, por exemplo.

Lula prometeu acabar com sigilo de 100 anos

Durante a campanha de 2022, o presidente Lula prometeu acabar com os sigilos de 100 anos. O dispositivo estava sendo usado pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para esconder informações sobre processos disciplinares do Exército, visitantes do Palácio da Alvorada e do Palácio do Planalto e até o cartão de vacinação do mandatário.

“Meus amigos e minhas amigas, não haverá sigilo nas contas públicas. Não haverá sigilo de 100 anos nem de 10 anos nem de um dia. E a Lei de Acesso à Informação será cumprida. No primeiro dia de governo, nós vamos fazer um decreto para acabar com esse sigilo de 100 anos, pois eu quero ver o que esse cidadão está escondendo do povo brasileiro”, disse o então candidato Lula, em setembro de 2022.

Na gestão petista, a Controladoria-Geral da União (CGU) determinou a retirada de sigilos específicos e publicou novos entendimentos para orientar a divulgação de dados públicos. O dispositivo que prevê a imposição de sigilo centenário, no entanto, permanece em vigor.

FONTE/CRÉDITOS: M

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