O Tesouro Nacional rejeitou nesta 3ª feira (2.dez.2025) a proposta do consórcio de bancos para o empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios, por considerar a taxa de juros muito alta.
O Tesouro aceita taxas de até 120% do CDI para créditos com garantia. A estatal ofereceu 136% do CDI depois de negociar com 5 bancos.
Como a União atua como garantidora da operação, o risco de inadimplência para os bancos é muito baixo. Por essa razão, o Tesouro espera que as taxas de juros sejam significativamente mais baixas, refletindo a segurança da operação.
O empréstimo é parte central do plano de reestruturação dos Correios, que atravessa uma grave crise financeira. De janeiro a setembro de 2025, o prejuízo da estatal foi de R$ 6,1 bilhões, mais que o dobro do rombo de R$ 2,6 bilhões do ano passado.
Após a rejeição do Tesouro, os Correios vão encaminhar uma contraproposta aos bancos e aguardar a resposta das instituições.
Os Correios afirmaram que a Diretoria Executiva da empresa segue trabalhando, em conjunto com os ministérios, na avaliação de alternativas que reforcem a liquidez imediata da estatal.
MPACTO NAS CONTAS PÚBLICAS
Os Correios estimam encerrar o ano com um prejuízo recorde. A expectativa é de um deficit primário de R$ 5,8 bilhões em 2025, segundo o governo. No relatório bimestral anterior, a projeção era de saldo negativo de R$ 2,4 bilhões.
O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, disse em 24 de novembro que o deficit apresentado pelos Correios “causa um impacto negativo” nas contas do governo no 5º bimestre de 2025. Durigan classificou o resultado primário da empresa pública como “muito ruim”.

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