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Segunda-feira, 20 de Abril de 2026

Notícias/Justiça

Dino inclui PCdoB, ao qual foi filiado, em ação citada em gravações

Áudios revelaram barganha do PCdoB por espaços políticos no Maranhão

Dino inclui PCdoB, ao qual foi filiado, em ação citada em gravações
Foto Gustavo Moreno.
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O ministro do STF Flávio Dino voltou a movimentar a política do Maranhão.

Poucos dias após a divulgação de áudios em que lideranças do PCdoB negociam “clima de paz” no estado em troca de vitórias eleitorais e suspensão de ações judiciais sobre o Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA), o ministro acolheu esse partido de extrema-esquerda como amicus curiae em uma das ações citadas nas gravações.

Nos áudios, o presidente estadual do PCdoB, deputado Márcio Jerry, afirma que a harmonia política só seria possível caso “se resolvessem Colinas e Barreirinhas”, municípios que são considerados estratégicos nas disputas locais, e “se esquecesse o TCE”.

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Participam das conversas, ainda, o deputado Rubens Pereira Júnior e Diego Galdino de Araujo, ex-assessor direto de Dino e atual secretário-executivo do Ministério do Esporte. Ambos próximos do ministro do Supremo Tribunal Federal, que foi governador do Maranhão.

A decisão de Dino desta terça-feira (4) de admitir o PCdoB como parte interessada nas ADIs 7603, 7605 e 7780, que questionam o rito de escolha dos conselheiros do TCE-MA, causou perplexidade no meio jurídico por três razões principais:

O ministro não se declarou suspeito, apesar de ter assumido a relatoria da ação poucos dias após chegar ao STF, saído da política e do comando do Maranhão. Além de ex-militante histórico do PCdoB, partido diretamente beneficiado pela decisão, Dino atuou por anos no cenário político estadual, o que, para juristas, caracteriza impedimento ético e político.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) já haviam reconhecido a perda de objeto da ação, uma vez que as supostas irregularidades no rito de indicação dos conselheiros foram sanadas pela Assembleia Legislativa e confirmadas por pareceres técnicos.

Enquanto casos idênticos em outros estados — Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Sergipe — já foram resolvidos no STF, sob relatorias de Gilmar Mendes, André Mendonça, Dias Toffoli e Nunes Marques, o Maranhão segue com o processo travado, sob relatoria de Dino, há quase dois anos. Duas cadeiras permanecem vagas no TCE-MA desde 2024, e o tribunal opera de forma incompleta por força de liminar concedida pelo próprio ministro, que suspendeu as nomeações até decisão final.

A controvérsia cresce mais porque a ação tem prosseguimento em petições apresentadas por uma advogada de Minas Gerais, a mesma que protocolou documento falso tentando vincular uma empresa de Colinas a Marcos Brandão, irmão do governador Carlos Brandão.

A Justiça do Maranhão transformou em réus três servidores da Secretaria de Infraestrutura (Sinfra), responsáveis pela produção e inserção do documento fraudado.

Mesmo após a constatação da fraude, o ministro Flávio Dino usou a petição dessa advogada como base para abrir um inquérito na Polícia Federal contra o governador, seu adversário, em decisão que surpreendeu o meio jurídico por contrariar o rito processual, já que casos envolvendo governadores deveriam tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na mesma semana, Dino remeteu ao STJ o caso do ex-governador da Bahia Rui Costa no caso dos respiradores, mas manteve o de Brandão sob investigação direta da PF, com base no documento cuja falsificação é objeto de ação judicial.

FONTE/CRÉDITOS: DP
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