O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, não explicou, durante mais de uma hora de depoimento à PF (Polícia Federal) como a indústria de créditos bilionários fraudulentos do Banco Master passou despercebida pela autoridade monetária antes e vários meses depois de o BRB (banco de estatal do governo de Brasília) fazer a aquisição dos ativos da instituição financeira. Ele disse que obteve “certeza” de que havia ilegalidade só em junho de 2025, depois de uma reunião com instituições financeiras pequenas.
No mercado havia suspeitas sobre a falta de liquidez do Master desde o final de 2024. Em março de 2025, foi anunciado que o BRB compraria o Master. Ocorre que Banco Central começou a ter certeza dos problemas apenas em junho e só liquidou a instituição em 18 de novembro.
A declaração de Ailton de Aquino foi feita em 30 de dezembro de 2025, em depoimento à Polícia Federal na sede do Supremo Tribunal Federal. Tudo foi gravado em vídeo. Esse depoimento de Aquino só se deu porque foi uma decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, de acelerar o processo de investigação.
O diretor de Fiscalização do BC afirmou que a “crise de liquidez” do Banco Master era muito clara, porque o banco não pagava depósito compulsório –que é um montante repassado pelas instituições financeiras ao Banco Central com base em um percentual definido. Funciona como uma conta em que os bancos precisam deixar o dinheiro “parado”, seja com recursos de depósitos à vista, a prazo ou em poupança. Ocorre que a delegada da PF Janaina Pereira Lima Palazzo, que inquiria Aquino, não sabia o que são depósitos compulsórios e não questionou o diretor da autoridade monetária de maneira mais alentada sobre o assunto.
O Banco Master não tinha ativos públicos para atender às suas obrigações. E, mesmo assim, a instituição financeira tinha uma carteira de crédito crescente.

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