A POLÍTICA E SEUS PÁRIAS
Campeão nos gastos pagos pelo Senado, que restitui a seus integrantes despesas que podem ir do sorvete ao aluguel de mansões, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) destinou R$312 mil para remunerar assessora utilizando uma verba reservada a “divulgação da atividade parlamentar”.
A contratada foi a empresa L&L Consultoria Ltda, de Campo Grande (MS), cujo fantasia é “Vista Você” e está registrada em nome da ex-assessora Larissa Almeida, especializada em moda, e de outro jornalista.
As informações foram checadas pelo site MS-Brasília e mostram que a ex-assessora atuou entre abril de 2022 a maio de 2023.
As notas tinham valor médio de R$22,4 mil mensais em 2022, mas este ano o primeiro pagamento ocorreu em fevereiro, já no valor de R$30 mil.
Em nota, a assessoria de Trad garantiu que a contratação seria “juridicamente e administrativamente legal” e que a empresa “presta serviços de consultoria de imagens e comunicação” e que o contrato vem sendo “fielmente cumprido”.
A VERDADE
Além da curta duração – há previsão que seja de um mês, no máximo – a medida provisória de Lula para baratear os carros “populares” pode virar uma perigosa armadilha para o consumidor. O tal desconto, entre R$2 mil e R$8 mil, será vantajoso para quem puder comprar o veículo à vista, segundo admitiu, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello. Mas quem tiver de financiar a compra, com taxa Selic a 13,75%, as simulações mostram que ao final do financiamento o carro de R$60 mil terá custado o dobro do valor atual.
O problema é que, vantajosa, a compra à vista do carro com desconto será privilégio de poucos. Pobres não têm R$60 mil em conta para isso.
A MP do presidente petista atende ao lobby das montadoras, que, com os pátios cheios e queda na demanda, se recusam a reduzir os preços.
Só 37 carros (de dez montadoras) estão aptos ao desconto. A principal beneficiada é a Fiat, com onze automóveis abaixo dos R$120 mil.
EM POUCAS PALAVRAS
Vou tentar explicar para quem não entende ou não imagina como funciona:
Você sabe o que é renúncia de receita na administração pública?
Isso ocorre quando o um gestor público – e neste caso é o presimente - concede incentivos ou benefícios como isenção, anistia, remissão e outras concessões permitidas em lei.
Ao dar incentivos para as montadoras – o que é um engodo – ele também precisa apontar de onde sairá o dinheiro para fazer a compensação, ou seja, repor.
Não é simplesmente dar de mão beijada.
Você já desconfiou quem vai pagar a conta?
Claro!! Nós vamos assumir a dívida, pagando mais impostos.
Como tenho dito ao longo de muito tempo:
Não existe almoço grátis: se alguém está recebendo é porque outro está pagando.
FALANDO EM POLÍTICA
Regularizar a situação da “Procuradoria da Mulher” na Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul, ou seja, fazer do órgão um apêndice lincado com o Legislativo, causou chiliques que foram parar em redes sociais.
As vereadoras Nina Santin (PP) e Sirley Schappo (Novo) aprontaram um chororô danado e reclamaram que não foram ouvidas.
Segundo o Presidente Luís Fernando Almeida (MDB), foram sim.
A existência da Procuradoria da Mulher ocorria de fato, mas pelo visto, muito longe de estar tudo como manda o figurino, o direito.
Os dados das pessoas que acorriam ao órgão, procedimentos e demais ações, estavam relegados a celulares, e certamente com acesso restrito das referidas vereadoras, ou seja, claramente uma "plataforma"com possibilidades de uso na política.
Vamos lembrar da LGPD - Lei Geral de Proteção de Dados - onde mesmo uma instituição deve manter sob sigilo.
Diante do quadro, quais eram as garantias na Câmara de Vereadores? Se não estava de posse do Legislativo de maneira oficial, o correto seria dizer: comigo está seguro?
Colocar tudo “no papel e como mandam os procedimentos na atividade pública”, após a devida consulta ao jurídico da Casa de Leis, formalizar os procedimentos como algo pertencente ao Legislativo e não “de posse de duas vereadoras”, provocou ranger de dentes.
Se não estava devidamente documentado oficialmente e seguindo os ditames legais de tudo, a existência restava irregular?
Ou não?